aconteceu numa época em que eu, aos 28 anos, trabalhava em um cargo bom, de uma empresa nova.
Era bem sucedida, casada e com um maravilhoso filho, Bruno. O elemento mais importante de minha vida, ele, nesse tempo, tinha 1 ano e 8 meses. Um garoto saudável e encantador, com seus olhos negros e cabelos cacheados, perfeição igual nunca haverá de ter . A única coisa que me incomodava era um medo, temia perder a preciosidade que tinha, como quando tinha aquela bela garotinha..
Mas, em um dia aparentemente normal, o mundo veio a se desfazer. Diante dos olhos de uma mulher, em meio à sua rotina, aos seus colegas de trabalho. O dia em que todos vivenciaram o mais puro temor; jamais me senti {e isso refletia nos outros também} com tanto medo, saudades e sensação de incapacidade.
Naquele instante, segundos antes de abrirem os olhos e perceberem a realidade que se passava ali, estávamos trabalhando; com os pensamentos nas ações, no estagiário que havia faltado, procurando aquela pasta de arquivo... Não sei de que modo percebi, mas fui a primeira, a que mais medo passou.
Depois de minutos {ou segundos, pareceu tão rápido..!} vi pânico em cada olhar, li os pensamentos de cada pessoa. Na verdade, os pensamentos eram semelhantes... estávamos todos perdidos naquele instante. Os pensamentos se misturavam, as dúvidas nos sufocavam naquela sala, que agora parecia terrivelmente pequena.
Via-se somente pessoas correndo, desesperadas. Deveriam estar cansados, de pensar no porquê disso tudo. Eu pensava em encontrar meu pequeno, era o que mais me importava. Logo que o prédio se desfazia sob nossos pés, corríamos pelas escadas. Trabalhei por tempos no sétimo e oitavo andar.
Quando já estava na metade do caminho, para chegar ao térreo, enxerguei a essência de cada pessoa. Vi o que mais importavam pra cada uma, a que elas iriam ao encontro quando saíssem daquele prédio quase já em pedaços. Vi diversas mães carregando berços, uns maiores outros menores. O que me fazia desejar, cada vez mais, que estivesse em casa, com Bruno.
Cheguei no térreo, saí pela porta da frente... Havia pessoas sentadas no muro que cercava o grande jardim, em frente ao prédio. Meu marido estava lá, com sua barba mal feita e cabelos escuros. Adorava o jeito como ele pensava, o amo verdadeiramente. Ele logo me encontrou {não sabia ele que estava tudo desabando}, e eu, com desejo mais forte que antes, peguei em sua mão e corri até meu apartamento. Não tive tempo de explicar tudo à ele, mas como confiávamos muito um no outro, se deixou levar por mim.
Entrei no apartamento depressa. Estava intacto, só não havia luz. Sentei no sofá e chorei, talvez de felicidade por estar tudo inteiro ainda. Não demorou e me lembrei que o Bruno estava dormindo no quarto, quase que no mesmo segundo ele acordou chorando. Levantei-me e corri para abraçá-lo. Meu marido foi direto para o banho, riu quando viu que não havia acontecido nada em casa, ficou feliz e despreocupado, agora.
Meu pequenino dormiu meia hora depois, já era de tarde... Tomei um banho delicioso e sentei no sofá, em frente a televisão. Pensei em tudo que havia acontecido, meu medo dissipou-se quando estava tudo como deveria estar.
Com um sorriso terminei meu dia. Adormeci lá mesmo e sonhei que contava sobre um sonho para uma amiga, ela trabalhava no mesmo lugar que eu, era uma empresa grande e nova...